Oportunidade: 40% a 60% dos estagiários são efetivados ao final do contrato, aponta levantamento
- Lorena Almeida
- 24 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 24 de jun.

O estágio pode significar mais que uma simples experiência profissional. Para muitos, essa pode ser uma porta de entrada ao mercado de trabalho. Segundo levantamento da Abres (Associação Brasileira de Estágios), 40% a 60% dos estagiários são efetivados ao final do contrato. Desse modo, o estágio se apresenta como uma possibilidade real de inserção no mercado de trabalho, ainda no período acadêmico.
A Abres revela ainda que mais de 60% dos profissionais em atuação no país no ano de 2024 haviam passado por algum programa de estágio durante sua formação, reafirmando a importância desse tipo de experiência.
Além de fornecer experiência prática, o estágio contribui para o desenvolvimento de competências e habilidades, como trabalho em equipe, comunicação e resolução de problemas.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de estagiários passou de 624 mil em 2023 para 990 mil apenas nos dois primeiros meses de 2025. Esses números representam um avanço no mercado de trabalho.
Jornalismo – Do estágio a efetivação
Estudante de jornalismo do Centro Universitário Fluminense (Uniflu), Nelson Nuffer teve êxito no mercado através de uma vaga de estágio. Ele conta que começou a estagiar no J3News TV nas férias, entre o seu primeiro e segundo período, no ano de 2023.
“Lembro que no finalzinho do semestre letivo, o professor Júlio Tinoco, que também trabalha no J3, anunciou uma vaga de estágio para a TV. De forma alguma eu queria ou me imaginava fazendo televisão, mas resolvi tentar mesmo assim. Fiz a entrevista, porém não fui chamado.”
Nelson conta ainda que na época, a estagiária do site/jornal impresso do J3, queria uma oportunidade de estagiar na TV, e pediu a troca da vaga. Assim, cerca de um mês depois, ele recebeu uma ligação para uma nova entrevista, agora com a chefe de redação do site/impresso, e na mesma semana já estava em período de teste. Dois anos depois, ao fim do estágio, Nelson foi contratado.
O estudante, porém, não parou por aí. “Em uma série de outras decisões, acabei arrumando também um segundo estágio no ano passado, logo ao final do meu estágio no J3. Agora, além de efetivado no J3News, sou estagiário na produção da Record TV Interior RJ”, conta.
Ao ser questionado se considera o estágio como uma importante porta de entrada no mercado de trabalho, o jovem afirma com convicção.
“Com certeza. Tanto pelo estágio ser o momento que a gente tem o contato verdadeiro e intenso com a prática do jornalismo, quanto pelas oportunidades que aparecem todo dia de aprender algo novo. Além disso, acho que cabe uma fala de um colega do J3, Aloysio Balbi: "O jornalismo não vai te fazer dinheiro. Ele só te faz conhecer pessoas". Estar todo dia atrás de uma notícia, fazendo apuração, publicando uma reportagem, te faz ser visto dentro do mercado, que é importante, pois aqui, todo mundo se conhece.”
Para quem está estagiando, Nelson deixa um importante recado:
“Teu horizonte precisa estar na excelência, mas não significa que seu caminho não vai ter problemas e dificuldades. O estágio é o momento de aprender e errar, mas é preciso ter a intenção de sempre fazer o melhor que você puder, com o máximo que você tiver. E um adendo importantíssimo: o estágio é seu tato no mercado, mas a faculdade ainda é o seu centro. A teoria deve sempre guiar a prática”, conclui.
O olhar de quem acompanha
O professor Júlio Cesar Tinoco, responsável pela disciplina de Estágio Supervisionado Campo do Uniflu, destaca que “o estágio para jornalistas em formação é fundamental para que possam aplicar, na prática, os ensinamentos teóricos da academia.”
Segundo ele, “o processo de imersão em uma redação jornalística aguça os sentidos e faz aflorar, por exemplo, o chamado faro jornalístico.”
Júlio também fala com orgulho dos resultados positivos que vem observando dos alunos que acompanha.
“A dedicação de alguns estudantes tem resultado em contratações nos veículos em que estagiam. Tal fato prova que, independentemente da formação de base, há necessidade de empenho e de identificação com a oportunidade de atuação.
Aqueles que são proativos — que sugerem pautas e se oferecem para tarefas mais robustas — tendem a ter mais chances de crescimento”, afirma.




Comentários