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Entre cinema, música e fandoms: como a cultura pop faz parte da rotina dos universitários

  • Maria Fernanda Scaldini
  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de jun.

O “mundinho pop” como ferramenta de conexão, refúgio e construção de identidade no ambiente acadêmico.


Por: Maria Fernanda Scaldini


Nos dias atuais, entre a realização de fichamentos e a rotina de aulas, o silêncio nos corredores das universidades é frequentemente substituído por debates sobre o último episódio de uma série ou o lançamento de um álbum musical. No Centro Universitário Fluminense (UNIFLU), esse cenário se confirma. Para muitos estudantes, a cultura pop deixou de ser apenas entretenimento ocasional para se tornar um elemento central na vida acadêmica, servindo como suporte para o cotidiano.


Grupo de estudantes comentando algo no celular (Reprodução: Internet)
Grupo de estudantes comentando algo no celular (Reprodução: Internet)

O PODER DA CONEXÃO E DOS FANDOMS

       

Se o consumo individual molda o repertório, o aspecto coletivo — os chamados fandoms — sustenta as relações entre os universitários. O estudante de jornalismo do UNIFLU e influenciador digital Márcio Victor Cabral observa que o universo pop atua como um elemento de sintonia imediata em grupos sociais.


“O pop cria conexão. Quando você encontra alguém que consome o mesmo conteúdo, a identificação é automática”, — comentou o estudante Márcio.


Essa dinâmica orienta o ritmo da socialização para além do ambiente digital. Evelyn Curty, cursando o 3º período de jornalismo no UNIFLU, destaca que essas referências compartilhadas influenciam a identidade do grupo e a forma como interagem: “As minhas amizades também são do meio jornalístico ou da mesma faixa etária que eu, nós consumimos esse tipo de cultura pop e isso influencia nos memes e na forma de nos expressarmos”, pontua.


MAIS QUE ENTRETENIMENTO, UM RECURSO DIDÁTICO

       

Para os universitários da área de Humanas, como o Jornalismo, o lazer e o estudo aparecem frequentemente interligados. Evelyn dedica cerca de três horas diárias ao consumo de conteúdos em redes sociais e plataformas de música. O que poderia ser visto apenas como distração é, na prática, repertório acadêmico. 

       

“O meu consumo de cultura pop interfere nos meus estudos porque, como estudante de jornalismo, muitas das minhas referências para trabalhos vêm desse mundo de notícias de celebridades”, explica Evelyn.

       

Essa relação entre consumo e comportamento é um fenômeno que a professora de linguagens Taiane Sena observa de perto. Para a docente, a cultura pop impacta a identidade dos estudantes, que incorporam gírias, vestimentas e comportamentos de personagens ou influenciadores em evidência. Segundo a docente, esse repertório é o que une os grupos no campus: “A cultura pop às vezes é o centro, é o que liga o grupo”, afirma Taiane. Assim, o lazer torna-se uma linguagem comum que facilita a expressão e a socialização dos alunos na universidade.


QUANDO O PASSATEMPO VIRA FERRAMENTA DE TRABALHO

       

Atualmente, observa-se que a cultura pop atravessa a fronteira do consumo pessoal e se transforma em ofício. É o caso de Márcio, que transformou o interesse pelo setor em ocupação profissional como influenciador digital e host de um podcast. Para ele, o entretenimento não é apenas lazer, mas a base técnica para sua produção de conteúdo.


“Eu consumo conteúdo pop, tanto brasileiro quanto internacional, e isso influencia muito no que eu produzo. Além de servir como referência, também estimula a minha criatividade, porque o universo pop está sempre se renovando”, afirma Márcio.

       

No cenário digital, marcado pela velocidade das informações, o uso de tendências artísticas funciona como um recurso estratégico. Márcio explica que o trabalho exige uma curadoria constante para transformar o que é "trend" em pautas que geram engajamento. Assim, o que antes era um passatempo demanda hoje pesquisa de mercado, análise de métricas e uma visão crítica sobre a indústria cultural, provando que o domínio sobre a cultura pop é uma competência profissional relevante na comunicação contemporânea. "Sempre existe uma novidade ou algo diferente acontecendo que precisa ser traduzido para o público", ressalta o estudante.







 
 
 

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