O Desafio Invisível de Gerenciar a diabetes tipo 1 na Rotina Universitária
- Evelyn Curty
- 25 de jun.
- 3 min de leitura
Estudantes lidam com o julgamento e as adaptações práticas dentro de salas de aulas contra crises glicêmicas
A rotina de um estudante universitário é baseada à correria, leituras extensas, prazos apertados e apresentações de trabalho, agora, imagine quem vive tudo isso e ainda precisa carregar uma preocupação extra, silenciosa e vital na mochila. É o gerenciamento da Diabetes tipo 1 (DM1), uma dinâmica que exige agilidade e atenção constante.

Viver com uma condição crônica no ensino superior traz barreiras que vão muito além do aspecto físico. A preocupação desde o tempo de uma refeição até o momento de uma aplicação de insulina impacta diretamente no psicológico e no rendimento acadêmico.
No início o ambiente acadêmico pode parecer assustador para quem precisa expor sua condição e o desconhecimento geral da doença pode gerar exclusão e deixar essa jornada ainda mais difícil.
O fator social e o peso do julgamento alheio, costumam ser os primeiros obstáculos no campus. Para quem descobriu o diagnostico no início da vida acadêmica ou já o carrega a algum tempo, a exposição do tratamento pode gerar algum desconforto.
“ No início do meu diagnostico já me senti bastante envergonhada ao ter que aplicar insulina na frente de todos antes de comer algum lanche”
- Relata estudante de jornalismo do terceiro período, portadora do DM1 apontando o desconforto inicial de expor o tratamento em um espaço público.
Com o tempo, o processo de aceitação deixa o autocuidado e manejo da doença mais fácil, mas nem sempre o ambiente colabora, o desconhecimento e julgamento sobre a doença podem causar um desconforto em quem a carrega. E até mesmo, em situações de emergências glicêmicas, prestar ajuda ao estudante de uma maneira incorreta. Mas, se por um lado a ignorância coletiva assusta, por outro, a comunicação e a convivência têm o poder de transformar esse desconforto e medo, em um ambiente seguro.
Para entender como o ambiente acadêmico enxerga essa realidade, foi aplicado um questionário aos colegas de classe de uma estudante portadora da condição. O resultado provou esse apagão informativo e a maioria confessou que “nada compreendia” ou que “não sabia exatamente a diferença entre a diabetes tipo 1 e tipo 2” o “valor normal da glicose” e nem os cuidados necessários para tratar a doença antes de conviver de perto com ela.
Apesar do desconhecimento inicial os relatos mostram que a empatia e o aprendizado foram crucias para uma rotina acadêmica mais inclusiva e com mais segurança e apoio.
“ Nos adaptamos bem, sempre buscando ter paciência e entender quais são as necessidades dela, além de tentarmos tornar as situações mais descontraídas para que ela se sentisse mais confortável “
Hoje, esse grupo de amigos funciona como uma verdadeira rede de apoio, porém, mais do que cobrar a empatia individual dos colegas, a discussão levanta um alerta indispensável. As instituições de ensino superior precisam debater a acessibilidade de saúde em suas dependências, garantindo que professores e funcionários saibam como agir.
O apoio das instituições de ensino é crucial, elas precisam estar preparadas para incluir esses alunos de forma institucional. De acordo com o enfermeiro Richard Berçacollo Belicio, que traz uma visão técnico sobre o assunto, o estresse de semanas de provas, noites mal dormidas e ansiedade acadêmica liberam hormônios de cortisol, que interferem diretamente no controle glicêmico, exigindo um olhar atento da própria instituição de ensino.
Quando a sociedade e universidade se informam, o julgamento dá lugar ao acolhimento e garante que a saúde não seja um obstáculo.



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