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O impacto do exercício físico no tratamento e prevenção de transtornos mentais

  • Maria Fernanda Scaldini
  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de jun.

Como a prática regular de esportes e musculação atua como aliada no controle da ansiedade e do estresse no ambiente acadêmico.


Por: Maria Fernanda Scaldini


Em um cenário onde a rotina acadêmica é marcada por prazos, provas e uma constante pressão por desempenho, a saúde mental dos estudantes tornou-se uma pauta urgente. No cotidiano universitário, a busca pelo equilíbrio entre as obrigações e o bem-estar encontra um aliado essencial: o exercício físico. Mais do que uma questão estética, a prática de esportes e musculação tem se consolidado como uma ferramenta terapêutica essencial na prevenção e no tratamento de transtornos

como ansiedade e depressão.


Atividades físicas (Reprodução: internet)
Atividades físicas (Reprodução: internet)


O CÉREBRO EM MOVIMENTO

       

Para compreender a eficácia do esporte, é necessário observar os processos invisíveis que ocorrem no sistema nervoso durante o esforço físico. A psicóloga Elisângela Scaldini explica que o exercício promove alterações neuroquímicas fundamentais, liberando substâncias como endorfina, responsável pelo bem-estar, e elevando os níveis de serotonina e dopamina que são essenciais na regulação do humor e da motivação. Essas alterações combatem diretamente o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. 


“Hoje em dia, a gente pode dizer que a ansiedade é o mal da humanidade”— pontua a psicóloga.

       

Segundo a especialista, esse cuidado com o corpo é uma necessidade urgente frente ao cenário atual da saúde mental coletiva. Para ela, o exercício não apenas ajuda no controle de sintomas já existentes, mas atua como um fator de proteção para jovens universitários, ajudando a reduzir a carga emocional gerada pela pressão por alto desempenho e pelas inseguranças da fase acadêmica.


A DUALIDADE DOS TREINOS

       

Se a teoria aponta os benefícios químicos, a prática revela como diferentes modalidades moldam a psicologia do estudante. A universitária e atleta Manuella Kronemberg, que concilia a graduação com uma rotina de treinos que chega a sete vezes por semana, utiliza a combinação entre o judô e a musculação como um regulador emocional. Enquanto o judô mexe com disciplina, respeito e o contato com a equipe, a musculação funciona como um momento de introspecção. 


“A musculação é mais um momento meu de desligar a cabeça e focar só em mim, me ajuda muito a aliviar o estresse”, explica Manuella. 

       

De acordo com a psicóloga Elisângela, essa distinção é estratégica: esportes coletivos e artes marciais favorecem a socialização e o autocontrole, enquanto atividades individuais contribuem para a autonomia e a autoestima. Assim, a escolha da modalidade pode ser adaptada às necessidades emocionais específicas de cada jovem, usando o momento de lazer como uma ferramenta para manter o controle da própria rotina.


RESILIÊNCIA NO ESPORTE E PRODUTIVIDADE NOS ESTUDOS

       

A disciplina exigida no esporte acaba tornando-se uma ferramenta de convivência e estudo. Para Manuella, os valores aprendidos no tatame, como a constância, a paciência e o respeito à hierarquia, influenciam diretamente sua postura no ambiente universitário e o tratamento com as pessoas no dia a dia. Mais do que um hobby, o exercício é o que garante a concentração, funcionando como um suporte importante nos períodos mais difíceis do semestre. 


“Em semana de provas, o exercício físico me ajuda bastante em questão de ansiedade. Quando eu fico muito tempo sem treinar, parece que eu fico mais estressada e sem foco também”, afirma a estudante. 

       

Essa percepção reforça que, à medida que os alunos começam a sentir melhoras significativas na qualidade do sono, no humor e na disposição, a prática deixa de ser encarada com resistência ou como uma obrigação pesada. Com o tempo, o exercício se transforma em uma necessidade diária e um cúmplice indispensável, funcionando como o combustível que o estudante precisa para manter a saúde mental em dia e garantir o sucesso acadêmico.


 
 
 

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